"O poeta e a dor"
E então a dor disse ao poeta, num tom muito desaforado,
Que este lhe pertencia.
Que este lhe pertencia.
O poeta apenas sorriu, lisonjeado que estava,
pois só ele sabe que às vezes é preciso a carne judiada,
para que venha a poesia sentar-se à sua sala.
"A mulher e a corda"
A corda, tentando equilibrar-se sob os pés da fêmea decidida,
cai em suicídio, diante da força do frágil.
"As asas e o abismo"
O homem com as asas abertas e risonhas
Alça voo em seu próprio abismo.
Ignorando sua humana condição, assusta-se
Ao dar-se conta de que só o abismo lhe pertence.
Ao dar-se conta de que só o abismo lhe pertence.
Moon, Out/1996.
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