quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Quando acaba o carnaval...

Um nó na garganta,
Um choro que não se consumou, mas que ainda não foi de tudo represado.
A ansiedade do momento,
O medo do reencontro,
A espera que nunca findava,
Uma respiração quase esquecida,
Uma fraqueza quase imobilizante,
Um cheiro de tensão no ar,
O abraço prometido e tão frágil,
A palavra escassa,
Um silêncio perturbador,
O cumprimento distante...
Foi tão rápido quanto inesperado.
Tanta coisa por dizer e... passou!
Ali, na minha frente quase 1 ano depois... Quem é você? Sinto um vazio imenso, não mais reconheço. Vejo os mesmos olhos ternos, mas não mais ingênuos e um tanto frios. Te olho com calma e medo. Uma vontade de me proteger. Ali, diante dos olhos que foram seus, você! O amor que se foi sem dizer adeus, os olhos que um dia foram meus, o amor que dediquei infinito, o laço que julguei eterno, o motivo da minha maior alegria e maior tristeza também, uma parte do mais sagrado em mim... Ali, num janeiro qualquer, nos gritos de pré-carnaval, naquela calçada imunda, naquele barulho de carros, música alta e gente gritando, tudo ficou suspenso numa meia dúzia de palavras soltas, no beijo pras famílias, uma eternidade... Nos despedimos sem pressa e sem mais. Cada uma para um lado e sigo para a próxima folia, atônita e confusa com as memórias que voltam num filme. Sigo, pensando no que deixei pra trás. No que devo deixar para que eu possa seguir... A memória da pele é como tatuagem. Nunca será apagada, ela fica ali, esquecida, pode fazer outra por cima, mudar o desenho, mas nada vai apagar o motivo pelo qual você quis fazer e carregar pra toda a vida.
Passado o susto, a tensão, o suspense e o medo desse reencontro que não durou mais que 5 minutos, finalmente, fim!
Moon. Lapa, RJ - 28 de janeiro de 2018.

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