O Rio é como ressaca: por mais que você saiba o resultado e prometa que nunca mais vai beber... quando assusta já foi.
É como um bofe de janela: bonito por cima, mas quando sai de casa e mostra os cambitos...
É como uma puta que foi linda, cortejada, hoje cansada e judiada.
É como uma pele linda, num reboco de base MAC que quando lava o rosto, a lua grita.
É como aquele playboy do Leblon que herdou o ap da família, vive de pompa no metro quadrado mais caro, mas não tem como pagar o condomínio.
É como um porco criado na merda, não sente mais o cheiro, por que se acostumou.
É como droga para os viciados, por mais que você saiba que faz mal, que não é legal, você não consegue largar.
É aquele pedido de tempo de um amor que nunca voltou, você fica ali, mesmo sabendo o final.
É o lanche do Mc'Donalds, sempre maior, mais saboroso e melhor no comercial.
É uma casa muito engraçada, não tinha porta, não tinha nada, nunca te convidam pra um café.
É uma onda de ácido: você nunca sabe o que é real de fato.
É Gil por que continua lindo, mas também é Caetano, "ou não".
É o fora Temer: todo mundo grita, mas o cara continua lá.
É Crivella: um lobo em pele de cordeiro.
É a "virgem" que dá apenas o furico pra casar na igreja, de branco e imaculada.
É o Cristo Redentor: intocável de tão alto, visto pelo mundo todo, mas não vê ninguém e só turista e gringo conseguem acessar.
É o viaduto de Madureira pra burguesia branca Zona Sul: todo o charme tá ali, mas só em dia de baile.
É o caranguejo mangue beat: na lama, andando pra trás, mas pulando ao som de Chico Science e Baiana System.
É o sem noção que chama o porteiro de Paraíba, mas passa todas as férias no Nordeste.
É a PM: todo mundo deveria se sentir protegido mas...
É a festa à fantasia: todo mundo fantasiado.
É o cais do porto, sempre movimentado, sempre solitário.
É a pegadinha sem graça do Faustão: te convida pra ir em casa, mas nunca te dão endereço.
É o signo de Leão, se acha mais que todo mundo, é a fila inteira do pão.
É a Casa Grande e Senzala separando morro e asfalto.
É o amor de carnaval feito pra acabar junto com a folia.
É a mãe coruja que só ela pode falar mal e se alguém escrever algo desse tipo, ela avança, bateeeeée e é capaz de matarhhhhhhhhsocorro!!!!!!
Moon. Jan. 2017
