domingo, 11 de junho de 2017

O barco

"navegar é preciso, viver não é preciso" Caetano Veloso


Você foi se afastando como um barco que se solta do porto: 
Devagar, recolhendo a âncora, afrouxando as cordas... 
Eu vi. Não pude fazer nada. 
Tentar segurar um barco que deve partir, é como desconhecer a sua natureza, 
É como impedir o que é de ir e vir, 
É como esquecer que somos barcos, também. 
Meus olhos foram afundando no mar, à medida que o barco se afastava... 
Eu deixei. Não pude fazer nada. 
Eu, um barco guiado por um coração que só quer ser porto, 
Não luto contra a minha natureza:
Lugar de aportar, casa do sentir,  
Festa do ir e vir...
Navego, mar que sou, mar que vou,
Mas o leme só aponta numa mesma direção.

Moon. Jun/2017

Foto: @subcomandante_d