quinta-feira, 20 de abril de 2017

O beijo na calçada

Era uma vez um beijo roubado numa calçada. Ele passava por ali distraído, estava escuro, meio deserto e... Vrááááu! Não deu tempo de correr, de gritar, de respirar... O beijo ali imóvel, atordoado à espera de alguém que o salvasse.

Previa que aquilo seria minha sentença e, como tal, lá estava eu condenada... Não sabia que aquela calçada seria testemunha do amor maior e quando passo distraída por ali, minhas lágrimas insistem em não dormir, por que elas sabem que aquela sentença vive no eterno em mim...

Amor? Repara a calçada, está sorrindo! Ela nunca nos delatou. Coitadinho do beijo, mas a calçada sabe reconhecer os pés que pisam sem medo da próxima topada. O beijo nunca deu queixa, pois ele sabe a diferença entre um delito e um presente.



Registro da autora

Moon, Abr/ 2017 (Para Ela, sempre)