Era uma vez um beijo roubado numa
calçada. Ele passava por ali distraído, estava escuro, meio deserto e... Vrááááu!
Não deu tempo de correr, de gritar, de respirar... O beijo ali imóvel,
atordoado à espera de alguém que o salvasse.
Previa que aquilo seria minha
sentença e, como tal, lá estava eu condenada... Não sabia que aquela calçada
seria testemunha do amor maior e quando passo distraída por ali, minhas lágrimas
insistem em não dormir, por que elas sabem que aquela sentença vive no eterno em mim...
Amor? Repara a calçada, está
sorrindo! Ela nunca nos delatou. Coitadinho do beijo, mas a calçada sabe reconhecer
os pés que pisam sem medo da próxima topada. O beijo nunca deu queixa, pois ele
sabe a diferença entre um delito e um presente.
Registro da autora
Moon, Abr/ 2017 (Para Ela, sempre)
