sábado, 23 de julho de 2016

Eu, muitas outras

Hoje eu me transformo em outras
Por que um corpo só não me habita
Quando não cabe numa só única vida
E o tanto tudo em mim é tão vasto

Posso ser muitas em uma só
Posso não ser ninguém e ser todos
Quando o nada também me pertence
Quando o nada é tanto que me basta.

Se os olhos que me vêem são tão pequenos
Se o alcance do gesto é tão largo
Abraço bem apertado o que é palpável
E sou limitada demais pra ser exata

Acredito no que sonho, sofro e sinto
Ora sou uma leoa autoritária e soberba
Ora desejo saúde num espirro distraído
Por que sou e não sou o que desejo

Sim, não, talvez, tudo, nada, também.
Sou tudo e o quanto couber em mim
Do quanto sobrepor meu egoísmo
E se esvazio,  posso ser o que eu quiser.

Moon, Jul/2016.