sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Sobre grilhões

Estamos todos e todas presos num tronco invisível,  acuados dentro de uma senzala chamada Brasil, servindo com suor, sangue e sexo aos senhores barões daqui e do estrangeiro, fingindo ser o que não somos, sofrendo de 'Daltonismo' crônico quando não queremos ver que o pigmento amarelo e o preto mundificam o branco, sendo pequenos quando achamos ser possível tratar as diferenças como diferenças e não somas. Então sejamos soma para que eles não nos subtraiam a dignidade que nos resta pouca...

Moon, Nov. /2016.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Notas dela sobre mim

É uma experiência quente, grande, iluminada, em tons de um domingo ensolarado, às vezes um entardecer rosado de inverno. Um gosto de bala de caramelo depois do almoço, um filme bobo de gargalhar no final de semana. Uma leoa, de íris cor de mel, uma insistência no romance da década de 80.


Foto: Arquivo pessoal



d'Ela. Out./2016 (Para Moon)

Ai de mim...

de mim?
nunca soube...
só sei de você. 

amar é desprender-se no outro, pelo e para o outro.
pelo, pele, pescoço, pupilas, pálpebras, púbis, pés...
incessante descoberta de si, sendo também muitos, todos, ninguém e o outro.
seios, sovaco, saliva, sangue, suor, sorriso, sonhos...

de mim?
sempre soube...
desde você!

Foto: Arquivo pessoal

Moon. Out/2016 (Para Ela)

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Notas Femininas 3

"Enquanto ela olhava as flores na janela
      Seu pensamento corria mais longe que o uivo do vento.
             De cajá era o gosto da boca que beijara,
                  Segundos antes de seu corpo ser uivo e flor.
                       As flores na janela lhe sorriam cúmplices e dengosas,
                           Como quem guarda um segredo precioso
                                 Que só às flores é reservado revelar."                
  


                Moon, Set./2016 (Para Ela).

sábado, 10 de setembro de 2016

Notas femininas 1

O suor ia escorrendo por suas costas, enquanto ela mirava um vaso no canto do quarto.
A porta acabara de bater e ela ainda podia ouvir seus passos no corredor, cada segundo mais longe.
Sorria por dentro. O suor ia se perdendo em seu sexo lentamente, enquanto o vaso se enchia de flores.
Imagem: Verônica Bonfim (Exposição O Triunfo da Cor - CCBB RJ)

Moon. Set. 2016

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Notas femininas 2

Deixo ele beijar minha boca e
enquanto ele me beija assim bem devagarinho eu vou ardendo.

Por dentro, por fora, quente e demora, no ninar das horas, no esvazio, no desvario,  na entrega... vou sendo."

Moon. Set/2016.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Carta à minha namorada

Que bom que você veio
Chegou como chuva fina
Em dia de preguiça e amor
Me aquecendo o coração e a alma
Me ensinando o quanto a vida é vasta
Apontando um outro rumo
Desconstruindo conceitos
Desnudando certezas
Desvelando, amando...

Que bom que você ficou
Como pude esperar tanto?
Passei uma vida inteira procurando
Ou o destino nos aprontou?
Que bom que nos achamos
Feliz que você chegou!
Riso manso, olhar de ternura
Tudo em você é tanto
Tanta verdade, tanto doar-se
Tanto querer bem sem quê ou a quem
Tanto sobre o amor
Tanto!

Que bom que você veio
Chegou sem pressa, sem guiar direção
Sem desespero e faminta!
Com você, galopo no tempo
Dou a ele o comando
Sou a sétima onda
Meu corpo inteiro vibra sob o sol
Sou inteira e metade também posso ser
Com você, a dualidade das coisas,
A ambiguidade do ser
A grandeza do gesto
Onde nada sobra, tudo é vivo e se basta
Com você, tudo bebo, sorvo, sinto, ardo, sangro, devoro!

Que bom que você está
Ou eu é que agora sou?
Não sei, me esvazio, ganho asas
Eu te amo!
Por esta e todas as outras vidas
Que deitada na lua, eu esperava.

Moon. Ago/2016 (Para ela)

Foto: Verônica Bonfim



sábado, 23 de julho de 2016

Eu, muitas outras

Hoje eu me transformo em outras
Por que um corpo só não me habita
Quando não cabe numa só única vida
E o tanto tudo em mim é tão vasto

Posso ser muitas em uma só
Posso não ser ninguém e ser todos
Quando o nada também me pertence
Quando o nada é tanto que me basta.

Se os olhos que me vêem são tão pequenos
Se o alcance do gesto é tão largo
Abraço bem apertado o que é palpável
E sou limitada demais pra ser exata

Acredito no que sonho, sofro e sinto
Ora sou uma leoa autoritária e soberba
Ora desejo saúde num espirro distraído
Por que sou e não sou o que desejo

Sim, não, talvez, tudo, nada, também.
Sou tudo e o quanto couber em mim
Do quanto sobrepor meu egoísmo
E se esvazio,  posso ser o que eu quiser.

Moon, Jul/2016.





quarta-feira, 18 de maio de 2016

Eu, marginália

O pior exílio é aquele que nos torna estrangeiros de nós mesmos.

Bênça Mãe, bênça Pai e 01 ano virou 10, 20...

De tudo uma certeza: a nossa casa não é para onde, mas para quem a gente volta.

Estou sempre em todos os lugares e em lugar algum, todos os lugares de minha infância carrego comigo, todos os cantos que ainda quero ir também.

Sou esse ir e vir e esse tanto de querer beber o mundo num só gole, "gute-gute" num canudo que vaza na alma, rasga a carne e verte sangue. Correndo para dentro e para fora, para o tão longe quanto os olhos não alcançam e as mãos nunca tocam.

Moon, Maio/2016.

sábado, 16 de abril de 2016

Meu Pedido

" De tudo ao meu amor serei atento..." Vinícius  de Moraes.

Quando eu não estiver atenta, me desperta?
Quando eu estiver distraída, me beija?
Quando eu estiver com medo, só me abraça?
Quando eu estiver vendo demais, me cuida?
Quando eu estiver sentindo frio, me ama?
Quando eu estiver exigindo muito, me situa?
Quando eu estiver em silêncio, me fala?
Quando eu estiver distante, me traga?
Quando eu estiver indo, me leva?
Quando eu estiver com sede, me bebe!
😍🌹💋😍🌹💋😍🌹💋
Moon. Abri/2016. (Para ela)

quarta-feira, 30 de março de 2016

Quando vento

Dorme no meu colo
Deixa eu ser melhor
Prometo cuidar do seu sono
Até você dormir
Em meus braços

Me dá tua mão
Vamos fugir
Não temos um plano 
Só o vento em nosso rosto

Pra que correr?
Por que se esconder? 
Se não é pique-esconde
Por que não vamos pra janela
De mãos dadas ver a lua?
Ela é testemunha 
Dos nossos olhos

Segue comigo
E quando o amor se distrair
Ainda assim estarei lá

Me dá tua mão
Vamos seguir
Nós temos um sonho
E o vento em nosso rosto...

Moon. Mar/2016 (Para ela)


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Varal de todo amor

Preguei o céu no teu varal,
bordei sua boca na minha,
quem disse que o vento sopra ligeiro
é por que nunca galopou nas asas do tempo, contando estrelas, regando sonhos,   brincando com as sombras,
pongando nas ondas,
vigiando a tardinha,
soprando bolas mais leves que eu
balançando na lua,
essa vida que já não é mais minha.

Para ela... Moon, Fev./2016.

Imagem: http://www.donagiraffa.com

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Tarde chuvosa

O céu escureceu às quatro da tarde
Eu ainda nem colhi aquela flor pra te dar
Oh menina, não deixe que eu chegue tão tarde,
Não deixe que eu vá dormir sem te amar.

Moon, Abril/2015.

Quando o amor se esvai...

Fica.
Eu não estou te pedindo,
Estou te implorando! 
Fica...

Amor próprio?
Desconheço.
Eu tenho amor e por hora
É tudo o que de mim vaza,
É tudo o que em mim basta.

Moon, Nov./2015.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O viver

E quando você me ouvir chorar
Não tenha medo!
É só desejo
De um tempo suspenso no ar.

E quando você me vir sem ar
Não tem segredo
É só o medo
De minha boca sem a sua.

Por que minha pele
Já não sabe se me habita ou se te espera.
E minhas mãos, que há muito não se governam,
Ficam perdidas no afã de te pertencerem.

E quanto mais sobre o viver eu nada sei
Você me ensina sobre o mundo, rainhas e reis
Me mostra quem eu sou
Me inclina a direção
Me lança no abismo
Me salva antes do por do sol.

Quem é você
Por quem meu coração pula em festa?
Que renova minha esperanca
Quando me conta sonhos de um mundo melhor?

Quem é vocé
Que faz fuzuê na minha ciranda
Suor, lágrima, riso, gozo, quimera!
Pra quem a vida não cansa de ser sempre maior... 

Moon, Jan./2016 (Para ela)
E ela que até pouco tempo não via beleza em quase nada,
         hoje deixa o vento dançar em seu rosto,
                  sorri à toa e voa tão leve
                           que o chão se desespera em alcançá-la.

Para minha Mãe, Jun/2015.